CALL FOR PAPERS / CHAMADA DE ARTIGOS

Dear Participants,

Academic Greetings!

We would like to invite everyone to submit Papers to the “II International Seminar on the States and Institutions: Contemporary Challenges and the Future of Multilateralism: scenarios and perspectives on global governance“, which will take place from September 20th to September 23rd, 2021.

Those interested in participating should send their Abstracts to the email seminarioestadoeinstituicoes@gmail.com until August 14th, 2021.

The Event is free of charge and open to all researchers in the field, representing an opportunity to publish a book chapter with ISBN and DOI per chapter. For your convenience, please find attached the Abstract Template below.

For further information about the Event’s Programme and the procedures for paper submission, please check the links below:

Event’s Website: https://seminarioestadoeinstituicoes.blogspot.com

Programme Video: https://bit.ly/video-seminar2021

Call for Papers: https://bit.ly/callforpapers21

Registration Form: https://bit.ly/inscriçaoseminario

We count on your participation!

Kind Regards,

Organizing Committee.

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Prezados (as), 

Saudações Acadêmicas!

Gostaríamos de convidar a todos para submissão de trabalhos ao “II Seminário Internacional sobre Estado e Instituições: Desafios Contemporâneos e o Futuro do Multilateralismo: cenários e perspectivas no âmbito da governança global”, que ocorrerá entre os dias 20 e 23 de setembro de 2021.

Os interessados deverão encaminhar seus resumos ao e-mail seminarioestadoeinstituicoes@gmail.com até o dia 14 de agosto de 2021.

O Evento é gratuito e aberto à participação de todos, sendo uma oportunidade para a publicação de capítulo de livro, com ISBN e DOI por capítulo. Para sua conveniência, o Template do Resumo Expandido encontra-se em anexo.

Para mais informações sobre a programação do Evento e os procedimentos para submissão de trabalhos, acesse os links abaixo:

Site do Evento: https://seminarioestadoeinstituicoes.blogspot.com

Vídeo de Programação: https://bit.ly/video-seminar2021

Edital: https://bit.ly/editalseminario2021

Formulário de Inscrição: https://bit.ly/inscriçaoseminario

Contamos com a participação de todos!

Atenciosamente,

Comissão Organizadora.

Lançamento de livro: Propriedades em Transformação, volume 2

Foi publicada esta semana, pela editora Blucher, uma coletânea de artigos apresentados no último congresso presencial da rede PinT (Properties in Transformation), realizado em 2019 no CEBRAP, em São Paulo. Participo deste livro com um artigo sobre as diferenças entre a firma tradicional e a empresa plataforma à luz da teoria institucionalista – “Capítulo 12 – Uma abordagem institucionalista da firma e da empresa plataforma”. O livro completo pode ser baixado gratuitamente no site da editora. Os arquivos também podem ser acessados individualmente.

Link para conferir o livro:

https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9786555500646-490/list#undefined

O NOVO CORONAVÍRUS E O TRADE-OFF ENTRE SAÚDE E ECONOMIA[1]

Carolina Miranda Cavalcante[2]

A pandemia do novo coronavírus colocou na ordem do dia um aparente trade-off entre saúde e economia que tem desafiado nossa modalidade de organização social. O objetivo deste breve artigo será analisar as dimensões sanitária e econômica da crise, buscando suscitar uma reflexão acerca de como a sociedade compreende e administra a pandemia e seus efeitos.

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma contradição que desafia nossa modalidade de organização social. O funcionamento da economia depende da circulação de pessoas e de mercadorias. No entanto, a circulação do coronavírus ao mesmo tempo em que obstaculizou o trânsito de pessoas também dele depende para sua sobrevivência. Manter a atividade econômica e conter a circulação do vírus tem sido um problema para todos os governos, de modo que poderíamos nos questionar se existe efetivamente um trade-off entre saúde e economia.

Precisamos reconhecer que estamos lidando com duas dimensões distintas da vida humana, uma ligada à sobrevivência biológica das pessoas, que o coronavírus ameaça diretamente, e outra ligada à sobrevivência de um modo de organização da vida social – a economia de mercado –, que o vírus ameaça indiretamente. Nos voltaremos, portanto, à análise dessas duas dimensões da crise – a sanitária e a econômica –, buscando trazer alguns elementos para reflexão acerca das transformações sociais engendradas por essa crise.

Tanto a economia de mercado quanto o coronavírus tem sua condição de existência condicionada à circulação de pessoas. A diferença fundamental é que o vírus pode sobreviver em outros organismos hospedeiros, de modo que se nossa espécie deixa de existir isso não representa um grande problema para o coronavírus. No entanto, a economia de mercado só pode existir se houver pessoas produzindo e consumindo continuamente mercadorias. Naturalmente, nós, humanos, só podemos existir se possuirmos um corpo (biológico) em pleno funcionamento. Isso pode parecer óbvio, mas a percepção social da pandemia nos faz questionar o quão triviais são essas afirmativas.

O Brasil encontra-se em segundo lugar no número de mortos pelo coronavírus, perdendo apenas para os EUA. Segundo dados coletados junto à OMS pelo G1[3], entre os dias 16 e 23 de junho, houve um aumento de 15% dos casos de coronavírus e de 10% de mortes decorrentes da doença nas Américas, enquanto esses números ficaram, respectivamente, em 13% e 8% para o mundo. Os EUA, país com o maior número de casos de coronavírus, teve nesse mesmo período, 9% mais casos e 3,7% mais mortes. Para o mesmo período, no Brasil, esses números foram de 25% de aumento no número de casos e 17% na quantidade de mortos pelo vírus. Diante desse cenário, no qual a OMS aponta a América Latina como o novo epicentro do covid-19, como pensar em relaxamento das medidas de isolamento social? Nesse caso, teríamos que escolher entre a saúde das pessoas e a manutenção da atividade econômica. Mas até que ponto podemos efetivamente fazer esse cálculo e essa escolha? Se as pessoas sucumbem ao vírus, quem irá conduzir a atividade econômica?

Retomando a distinção ontológica entre o coronavírus e a economia de mercado, não podemos deixar de notar que os mecanismos para o controle da crise sanitária são distintos dos mecanismos de contenção da crise econômica. Contudo, existe um ponto de interseção entre esses mecanismos, que remete a uma transformação na nossa forma de pensar e organizar a sociedade. Contra o coronavírus temos uma vacina no horizonte, de modo que podemos controlar a disseminação do vírus entre a população, mas não temos como conter sua circulação através de planos de abertura, regulamentos ou mesmo manifestações populares. Estes últimos são mecanismos de atuação no mundo social, não no mundo biológico. Contudo, o atual debate parece inverter as coisas, como se o vírus estivesse sob nosso controle. Deste modo, planejamos um retorno à “normalidade” daqui a dois meses, ao mesmo tempo em que parecemos reféns de uma indomável economia, sobre a qual nada podemos fazer senão arriscar nossas vidas em meio à pandemia para melhorar os humores do mercado. Até que ponto o fracasso ao lidar com o coronavírus é dado por uma falta de recursos? Em que medida esse fracasso não se origina na nossa própria forma de organização social?

A pandemia pôs à descoberto desigualdade sociais, mas também pôs à descoberto problemas relacionados à alta concentração nos grandes centros urbanos. Como manter um distanciamento social em meios de transporte lotados, restaurantes lotados, espaços públicos lotados? Tudo é altamente concentrado em cidades como o Rio de Janeiro, por exemplo. Num cenário de distanciamento social, alguns modelos de negócios, projetados para operar com uma alta concentração de pessoas, seriam totalmente inviabilizados nessas mesmas bases. 

Nossa sociedade está enraizada em diversas desigualdades e desequilíbrios. A sociedade tem funcionado com uma desigualdade de recursos que determina quem poderá pagar por uma comida de melhor qualidade, ou poderá pagar por comida em geral, quem poderá morar num local seguro, quem terá acesso a serviços de saúde e educação, etc. O problema é que o coronavírus inviabiliza uma solução nas bases de uma sociedade que distribui recursos e oportunidades de forma desigual. O coronavírus não é menos letal para aqueles que pagam o melhor plano de saúde, ele atinge a todos de forma aleatória e com consequências imprevisíveis. Não podemos utilizar os mecanismos de seleção tradicional por capacidade de pagamento para conter a pandemia. O covid-19 impele a sociedade a pensar em termos que são estranhos ao seu próprio modo de funcionamento, uma vez que a pandemia do coronavírus demanda uma solução universal. Nesse sentido, não adianta vacinar apenas parte da população, todos precisam ser vacinados para conter a propagação do vírus. Essa abordagem universal da pandemia desafia não apenas desigualdades internas aos diversos países, mas também as fronteiras de suas políticas nacionais.

Como a vacina não é cura e mutações do coronavírus podem surgir nos próximos anos, a sociedade precisará pensar em soluções de longo prazo. Pensar nessas soluções implica refletir sobre novos arranjos sociais. Precisamos buscar outras formas de consumo e produção, um reordenamento do espaço urbano (desconcentração urbana), modalidades de transporte alternativas (bicicleta como alternativa à concentração dos meios de transporte tradicionais), novos modelos para o ambiente trabalho (home office, horários flexíveis) e, principalmente, a efetiva universalização dos serviços de saúde e educação. O combate ao covid-19 não é apenas uma batalha biológica contra o vírus, mas também demanda uma articulação da sociedade civil na forma de uma ação coletiva organizada (quarentena, distanciamento social, medidas de higiene).

Naturalmente, esse novo arranjo social dependerá do debate político estabelecido em cada nação, respeitando suas especificidades e o grau de participação da sociedade civil. Como o coronavírus demanda soluções universais, países com estados de bem-estar mais desenvolvidos, democracias mais vivas e com menor grau de desigualdade social tenderão a se sair melhor no mundo pós-pandemia.

Niterói, 24 de junho de 2020.


[1] Artigo referente ao debate realizado no âmbito do Festival do Conhecimento da UFRJ, realizado virtualmente entre os dias 14 e 24 de julho de 2020. Site do evento: https://festivaldoconhecimento.ufrj.br. Link para o debate: https://www.youtube.com/watch?v=ojNxhpp6arA&feature=youtu.be

[2] Professora de Economia Política e Economia Institucional da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Website: https://cmcavalcante.worpress.com – E-mail: cmcavalcante@gmail.com

[3] Informações obtidas no site: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/24/pandemia-na-america-latina-ainda-nao-chegou-ao-pico-e-deve-resultar-em-mais-casos-e-mortes-continuas-nas-proximas-semanas-alerta-oms.ghtml (acesso em: 24/06/2020)